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Agosto / 2009

Cooxupé orienta

Engºs agrºs Antonio Conrado
(Cooxupé) e Carlos Sanches
(Netafim) e Carlos Barth (gerente de cooperativas - Netafim Brasil)

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Café irrigado

Participantes aprovam técnica
que gera ganhos de produção

Dia de campo realizado pela Cooxupé mostra a evolução do sistema de irrigação por gotejamento utilizado em Santo Antônio da Alegria, capaz de proporcionar boa nutrição e formação de lavouras produzindo, em média, 49 sacas beneficiadas por hectare

A bienalidade de produção do cafezal, já conhecida por nós, é decorrente da sobrecarga causada pela produção e baixo desenvolvimento da planta em um ano, seguido no próximo de um período de baixa produção para que a planta se recupere. Foi o que observamos no café não irrigado.

É normal se falar que o café necessita de água em setembro/outubro para“segurar” a florada e também em janeiro, para que haja boa granação. Esta afirmação é perfeitamente válida, se pensarmos apenas na safra atual. Porém, a falta de água em outras épocas do ciclo do café, o que é muito comum, impede o crescimento da planta, o que afeta a safra futura.

Quando o café é irrigado, a planta não só consegue “segurar” uma boa produção, como também se desenvolver:é muito comum encontrarmos de15 a 18 rosetas em um café com carga esperada em torno de 50 ou mais sacas por hectare, em lavouras com espaçamento de 3,5 m entre linhas de café, mostrando que há espaço para uma boa florada para o ano seguinte.

No dia de campo realizado em 16 de junho pela Cooxupé e empresa Netafim, na fazenda Águas da Prata, mostramos o processo de irrigação por gotejamento, técnica inventada em Israel nos idos de 1960 e que nesses 50 anos se desenvolveu de forma intensa. Os gotejadores atuais apresentam alta performance: são duráveis, têm resistência alta a entupimentos , proporcionam uniformidade no fornecimento de água e fertilizantes, gerando condições ideais de umidade às plantas.

Os participantes conheceram a central de pressurização e filtragem da fazenda, onde a água passa por filtros de discos para reter partículas que podem causar obstruções nos gotejadores.

O local de preparo e injeção de fertilizantes também foi visitado. Na fazenda Águas da Prata, a nutrição da planta é feita pela água da irrigação, o que possibilita uma perfeita uniformidade de distribuição e um parcelamento nas doses de fertilizantes. Não é difícil entender, que quando a alimentação das plantas é bem dosada e vai de encontro às suas necessidades, a resposta positiva na produção é certa.

A fazenda Águas da Prata fica no município de Santo Antônio da Alegria, Estado de São Paulo, e pertence à empresa Abec. Ao longo dos anos, tem obtido produção média de 49 sacas beneficiadas por hectare em área irrigada e apresenta grãos bem formados. Isso para o plantio de 3,5 metros entre linhas de plantas. Já a média de produção em áreas não irrigadas cai para 17 sacas por hectare, no mesmo espaçamento de plantio.

ECONOMIA E SEGURANÇA NA PRODUÇÃO
Concluímos que a técnica de irrigação por gotejamento proporciona segurança na produção, pequena oscilação de produção ao longo dos anos, redução de custos, o que favorece a rentabilidade dacafeicultura. Pelos dados colhidos em nossa visita, pudemos constatar que o investimento no equipapento de irrigação por gotejamento se paga em praticamente um ano. Pode ser instalado em qualquer topografia ou formato da área plantada. Se comparado a outros métodos de irrigação, é o que utiliza a menor quantidade de água.

Outra observação importante é a baixa necessidade de mão-de-obra para o sistema ser operacionalizado. Como a nutrição da planta é suprida pela água da irrigação, não há necessidade de máquinas para a distribuição de fertilizantes. Os defensivos de uso no solo e solúveis em água também podem ser utilizados via sistema de irrigação por gotejamento.

A colheita pode ser mecanizada ou efetuada de forma manual, sem que haja problemas com as linhas de gotejadores instaladas no campo.

Houve um consenso, entre os participantes, de que a técnica de irrigação por gotejamento é altamente viável porque reduz o uso de máquinas na lavoura e de mão-de-obra, proporcionando maior segurança de renda ao cafeicultor.