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Novembro / 2008

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Eduardo Renê da Cruz
Desenvol. Técnico Cooxupé
Filial de São Pedro da União

:.Manejo de plantas daninhas

:. Quebra-ventos
Geram segurança e rentabilidade

 

Manejo de plantas daninhas

A cafeicultura brasileira vem enfrentando um período de grande dificuldade, pois nos últimos anos os preços da mão-de-obra, combustível e insumos agrícolas, especialmente os fertilizantes, sofreram altas  expressivas. Com isso, vimos a lucratividade do produtor ser reduzida. Mas pode-se obter lucro na  atividade, mesmo com a elevação dos custos de produção. Basta promover o aumento de produtividade e um  fatores imprescindíveis para o alcance de melhores índices de produtividade está no  MANEJO CORRETO das plantas daninhas. É o que vamos abordar a seguir.

COMPETIÇÃO

Define-se competição como a interação biológica que ocorre entre dois ou mais indivíduos quando os recursos são limitados. É o que acontece com as plantas daninhas e o café.  Se não for controlada, a planta daninha quase sempre supera a planta cultivada em relação à extração dos recursos de produção.

Manejar as plantas daninhas, portanto, significa controlar as plantas invasoras, de forma a reduzir  ao máximo a competição com a cultura.  O controle deve ser feito de maneira que se aproveite os benefícios que as mesmas podem oferecer: as plantas daninhas alteram as propriedades físicas do solo,  reduzindo a erosão e impedindo a compactação de camadas superficiais causada pelo trânsito de máquinas ou pelo impacto de chuvas. Além disso, as raízes das plantas daninhas formam canais para infiltração de água e melhoram a estrutura do solo. Podem trazer benefícios ainda pelas alterações biológicas, favorecendo o aumento da diversificação da flora e dos microorganismos benéficos do solo; e pelas alterações químicas, por proporcionarem um aumento no teor de matéria orgânica e  melhorarem a fertilidade do solo, o que contribui para o aumento de produtividade.

DE OUTUBRO A ABRIL - A maior incidência das plantas daninhas na cultura do café e também a época de maior competição ocorre no período das águas, que vai de outubro até abril, quando acontece o predomínio das gramíneas, que são muito agressivas na utilização dos recursos de produção, como água, luz e nutrientes.

No período da seca (maio a setembro) ocorre o predomínio de folhas largas, que são mais resistentes à falta de chuvas por possuírem um sistema radicular mais profundo. Na seca, portanto, não ocorre competição das plantas daninhas com a cultura. No entanto, o manejo é necessário para facilitar a colheita.

MANUAL, MECÂNICA OU QUÍMICA?

Existem vários métodos de controle que podem reduzir a competição entre o café e as plantas daninhas. Vamos ver?

Capina Manual: É uma operação de baixo rendimento e elevado custo. Este método deve ser empregado em lavouras em formação e quando a declividade não permitir a mecanização em lavouras adultas.

Capina Mecânica: É um método de baixo custo e alto rendimento. A utilização de roçadeiras tem a vantagem de favorecer o acúmulo de matéria orgânica na superfície do solo. Só que o uso contínuo do implemento pode provocar uma compactação no local onde passam as rodas do trator e favorecer o desenvolvimento de espécies rasteiras, o que dificulta  seu controle. Outros implementos  utilizados são as enxadas rotativas e as grades, que promovem uma pulverização do solo. Isso favorece a ocorrência de erosão e compactação, além de contribuírem para a proliferação de plantas daninhas perenes de difícil controle, como a Grama Seda e a Tiririca.

Capina Química: É o método mais eficiente, desde que bem executado. Apresenta a vantagem de ser de baixo custo e de elevado rendimento. No entanto,  alguns cuidados são necessários no momento da aplicação, pois a utilização incorreta dos herbicidas pode provocar uma fito intoxicação nas lavouras. Em áreas novas, isso pode gerar até a necessidade de erradicação. 
O uso constante de herbicidas pré-emergentes, que deixam o solo totalmente livres de plantas daninhas, contribui para a formação de crostas superficiais. As crostas dificultam a infiltração de água. Já o uso constante de herbicidas pós-emergentes, em jato dirigido sob a copa do cafeeiro ou nas entrelinhas, induz as plantas a criarem resistência ao herbicida, promovendo a seleção de plantas resistentes.

PASSO A PASSO - Os cuidados a serem tomados no momento da aplicação de um herbicida na cultura do café são os seguintes:

  • Identifique as espécies de plantas a serem controladas.
  • Verifique o tipo de herbicida ideal para o controle: no uso de herbicidas pré-emergentes, as dosagens dependem da textura do solo; na aplicação dos pós-emergentes, as dosagens variam segundo o estádio de desenvolvimento da planta a ser controlada.
  • Aplique a vazão adequada para que o produto  seja aplicado na dosagem correta e faça um bom controle.
  • Realize a aplicação sempre nas horas mais frescas do dia e na ausência de ventos que causem deriva.
  • Lave bem os aplicadores (se o pulverizador utilizado for o costal, o ideal é que exista um só para aplicação de herbicidas).
  • Faça a tríplice lavagem das embalagens vazias. A lei determina que você deve furá-las e devolvê-las no local indicado na nota fiscal do produto.
  • Não se esqueça dos EPIs -  Equipamentos de Proteção Individual.
  • Na hora da dúvida, não se aperte: procure um profissional da Cooxupé.

MÉTODOS DEVEM SER ASSOCIADOS

A adoção de cada método no controle das plantas daninhas varia de acordo com as condições de cada lavoura e  propriedade. Além disso, percebe-se que o uso permanente de qualquer método é considerado ineficiente se for analisado  isoladamente.  Portanto, a melhor forma de manejo é a associação de diferentes métodos, como por exemplo, alternar o uso de roçadeiras com aplicação de herbicidas. Esses produtos promoverão um aumento da fertilidade do solo, com baixo custo, o que contribui para o aumento da lucratividade do cafeicultor.